Colaboradores

sábado, 8 de fevereiro de 2014

PERMANÊNCIA E CERNE

As memórias e ambições deixadas de lado
eram a gélida distância em um pensamento antiquado
O que se perpetuou em um lago de lágrimas
acabou se revertendo em um azul pálido

O presságio do anseio pela solidão
se tornou a engrenagem do tempo de um ancião
O orgulho se perdeu em uma nuvem de perspectivas
Apenas por um momento o caminho foi encontrado

A sociedade foi mentalmente deslocada
e os pretextos foram a permanência demarcada
Uma coleção de destinos desvendados
 foi o último ato dos quesitos passados

O egocentrismo nunca escapou do desapontamento
e esperar por algo que nunca vem se converte em abatimento
O pecado do cerne alimenta e domina os debilitados
Enquanto a compaixão conserva aqueles que foram abandonados

Essas sensações são como caminhar em um bosque distante
Uma calmaria que transforma algo atraente em um trágico instante
O embate entre o céu e o inferno reina entre os homens
Foices e cajados porfiavam por uma verdade que nunca existirá

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

CERIMÔNIA

O olhar fantasmagórico procura por novas intenções
Algo esteve clamando pela coerência
De volta à lama, o lugar de onde nunca deveria ter saído
As pessoas resignam para atender às expectativas

Espere até escurecer para a cicatriz surgir como uma pintura
O silêncio vai ser a expressão dos seus passos
Não existe nenhum herói para modelar esse monólogo
O que existe ainda é a ponta de um cigarro que não foi apagado

Andando pelo cânion, a simpatia reinava e dava voltas
Voltas como o seu humor sempre deu
Ele esteve fora durante algum tempo
É um fato!

Se você soubesse como era viver sem companhia
Talvez tivesse se esforçado mais para resolver seus problemas
Talvez tivesse enfiado uma estaca na teimosia para repensar em tudo
Agora é melhor segurar a respiração e aceitar as coisas como realmente são

O caminho é longo e não há como roubá-lo através de trilhas
O que você está fazendo se enforcando dessa maneira?
As coisas vão ficar da forma que sempre estiveram
O que você decidir agora provavelmente vai ser bom
SÃO VÍTOR

Os vestígios são os fardos de uma mente cansada
E a vértice levanta o que é crucial e descartável
Um rosto enrugado pela amargura dos anos
Conexões que nos fazem admirar a distância

Os erros foram cometidos por uma visão míope
Algo que nunca foi compreendido para ser aceito
Um cão negro se encontra imóvel em uma porta
e observa um senhor enfermo sendo cuidado

O senhor não entendia que os sonhos são falsas perspectivas
Sendo válidos apenas para aqueles conseguem realizá-los
Apenas saltitava durante a dança de São Vítor
Mas sem conhecer os primórdios desse infortúnio

Para ele, dormir era adiar o seu padecimento
Mesmo que por algumas horas
Uma enfermeira conduzia uma bandeja de prata
Existia algo naquela bandeja que pertencia ao grupo dos opióides

Nada mais funcionava no seu corpo esgotado
Eis que o cão negro eclodia novamente
Aproximou-se até o velho e lambeu sua face
Trancando eternamente os olhos que um dia brilharam

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

7

7 anjos tocam trombetas com graça
Dançando entre os pássaros de fogo que planavam
Suas vestes celestiais se unificavam aos ventos
Tornando o céu benemerente de encantamentos

O lírio alimenta docemente a primavera
E as folhas despencam como a chuva
Inferência da paz celestial libertada pelos anjos
que apontavam os seus instrumentos sem desarranjos

Um ancião alçava um cálice de vinho
Tragando e felicitando por essa visão invulgar
Uma condição singular para um octogenário
que ao ver os anjos, tombava o seu cálice encantado

O velho ergueu seu cajado e se levantou
E com uma jovialidade há tempos escassa
Olhou para o céu e rezou para se tornar parte daquele momento
Pois o que o interessava era se acoplar aos anjos naquele livramento
O POMAR DOURADO

Em uma torre apontada para o norte
um sino de bronze ressoava pontualmente
Era o comunicado da reunião dos monges
As velas iluminavam os corredores de pedra

Peregrinavam para a igreja com suas vestes monásticas
Acostumados com os ornamentos de ouro e prata
No jardim, o vento ressonava como cantos gregorianos
E um falcão planava entre as cordilheiras

Os monges mais altaneiros utilizavam uma cruz ansata
Seguindo o legado da escrita hieroglífica egípcia
Numerosas imposições amofinava o monge Amrrique
O abade era visto como um tirano chauvinista

As orações não asseguravam mais Amrrique
Eram como sentenças soltas e incongruentes
O monge adotou uma postura enérgica
E retirou dos seus aposentos a Cruz de São Pedro

Carregando sua cruz e estimulado pelo abade
que era visto utilizando um círculo com um ponto no centro
Caminhou até um pomar envolto em carvalhos
e pronunciou-se a inserir seu nome perpetuamente em uma pedra

domingo, 19 de janeiro de 2014

Se o amor fosse tão puro como dizem, nós não esperaríamos nada em troca
Casos excepcionais fogem da natureza humana da reciprocidade
O amor é um estado internalizado maquiado por ações externas
Espelhar-se nas expectativas é um passo conciso para uma decepção
Aspecto do óbvio ululante!
O amor tem o seu preço. E é dispendioso!
Talvez devêssemos buscar o amor solidário, embora em sua maior parte,
venha carregado, parcialmente carregado, pela troca de sentimentos e admirações 

sábado, 18 de janeiro de 2014

Seguindo pela estrada, tudo ficará bem
Basta abrir as portas para o mais novo refém
Diga aos mais novos que o sol não vai deixar de se pôr
E aos sábios que o tempo curto será bem empregado

O homem observa um mausoléu e um lindo pinheiro
Há um longo período não existe nenhum movimento do ponteiro
Os sonhos são como peças que não se acomodam
 Embora uma imagem projetada cause um leve sorriso

A terra cinza ganha uma cor diferente com a lua melancólica
Sombras percorrem essa personalidade bucólica
Em cada canto vazio tudo está pintado de preto
E o crocitar de um corvo negro anuncia que o desejo se aproxima

A expressão da floresta se encontra saciada
Falsas simpatias surgem a cada porra de piada
Esperando por uma carona que refletisse as cores quentes
Apenas alucinações de uma esperança nunca antes notada

Pensar se é necessário estancar os pés ou prosseguir
Leva à intuição da simplicidade de se desistir
Livre é o homem que mantém o pensamento limpo
E possui uma autoestima sólida que o faz pensar no amanhã

A depressão ecoa entre folhas e troncos mortos
Enquanto você peregrina em passos tortos
A escuridão abriga suas ambições em uma ciranda
 Nada é tão cristalino quanto o córrego que contorna as rochas


Avistando uma torre medieval feita de tijolos
Um sino toca em um mosteiro retendo os seus consolos
A fumaça guiada pelo vento representa uma vida mal seguida
E o final será com cinzas em um vaso ornamentado